Eu acho é Pouco

Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Eu acho é pouco
Banda do Eu acho é pouco
Fundado em 1976, em Olinda, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco foi criado por um grupo de amigos que havia se juntado para curtir a folia e criticar a ditadura militar em vigor no Brasil. Eram arquitetos, profissionais liberais, advogados e engenheiros. Boa parte morava no Sítio Histórico e os outros, residindo no Recife, estavam acostumados a seguir para Olinda para ver Pitombeira e Elefante passar. Antes do Eu Acho é Pouco surgir, o grupo de amigos já havia ironizado o período de repressão e restrições à liberdade de expressão com uma brincadeira que pode ser considerada precursora e pioneira - um pequeno bloco chamado Língua ferina. A tentativa de tornar mais suportável a vida sob a ditadura por meio da brincadeira e da gozação era, de fato, uma válvula de escape para foliões politicamente ativos.
Das línguas ferinas do coletivo nasceu a vontade de achar pouco e querer sempre mais. Assim passaram-se os anos, assim o Eu Acho é Pouco cresceu e virou um ícone do Carnaval pernambucano. Foi cantado em verso e rima por Alceu Valença, Getúlio Cavalcanti, Don Tronxo, Maurício Tapajós e Lenine. Em 1982, deu à luz a sua versão infantil, o Eu Acho é Pouquinho, também tingido de vermelho e amarelo. Essas cores, aliás, espalharam-se por Olinda e também pelo Recife. Podiam ser vistas em camisas e tecidos com ilustrações e estampas originais – concebidos e vendidos para garantir os recursos que viabilizam os desfiles durante a folia. Estavam nas fantasias inventadas por milhares de brincantes. Coloriam o estandarte e o famoso dragão que abre o cortejo.
Hoje, o Eu Acho é Pouco é organizado por uma segunda geração, composta de filhos, netos, sobrinhos, parentes e amigos dos fundadores. Desfila nas mesmas ruas e ladeiras da Cidade Alta nas quais estreou há quase quarenta anos sem nunca perder o espírito crítico ou o desejo de sonhar, porque um bloco de Carnaval se faz de sonhos, cores, sons, alegrias, algumas dores (porque sem elas não se vive, disso nós sabemos), símbolos e muitas, muitas, muitas pessoas. Um bloco de Carnaval se faz de suor, frevo, cerveja, samba, de bonecos gigantes e ladeiras repletas de gente fantasiada sob o sol do fim da tarde. De famílias, pais, mães, avós, irmãos, primos e amigos que se juntaram, em 1977, para criar uma agremiação, uma identidade, um país no meio da folia de Momo. De dragões, estandartes e histórias, muitas histórias.
De memórias, das lembranças que o tempo nunca apaga, de todos os que fizeram parte dele e já se foram, dos que a cada ano nascem e dos que ainda vão por aqui chegar. Dos seus músicos, da batucada, dos seus maestros, dos seguranças e daqueles que trabalham, silenciosamente no meio da maior barulheira possível, para que todos nós possamos brincar. Um bloco de Carnaval se faz de amor. Porque sem ele e sem o apreço pelo que há de mais característico da folia - a irreverência, a liberdade, a criatividade, a felicidade, o respeito ao outro - nada existe. A todos os que ajudaram o Eu Acho é Pouco a se tornar o que ele é hoje, nosso amor, sempre em encarnado e amarelo, e nosso muito obrigado. Porque este bloco de Carnaval hoje não é mais apenas um grêmio lítero recreativo cultural misto carnavalesco. É uma nação em vermelho e amarelo.
Eu Acho é Pouco
Como o Carnaval se vestiu de vermelho e amarelo é o relatório da pesquisa aprovada no Funcultura sob o número 574/13. Clique aqui para ler tudo que você sempre quis saber sobre o Eu Acho é Pouco.

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